Dizem que o desejo é chama. Pequena ou grande, discreta ou ruidosa, mas sempre acesa dentro de nós. Às vezes arde como faísca, quase invisível, outras vezes se impõe como fogueira em noite sem lua. O desejo nos move, nos empurra para além do que somos hoje. É a energia que faz alguém levantar da cama com uma ideia na cabeça e um fogo no peito.
Mas há algo maior que o desejo. Há uma Fonte — alguns chamam de Deus, outros de Energia Universal, mas todos a reconhecem quando o coração se aquieta. É a mesma energia que sustenta o nascer do sol sem pedir aplausos, que faz a semente se abrir em silêncio, que mantém o coração batendo mesmo quando a mente se perde em preocupações.
O desejo, por si só, pode ser turbulento. Quer chegar, conquistar, tomar posse. A Fonte, não: é calma, infinita, paciente. Quando o desejo se conecta com a Fonte, ele se transforma em força criadora, em caminho iluminado. Já não é apenas “eu quero”, mas “eu posso, porque Ele me fortalece”. É nesse encontro que nasce o milagre da vida cotidiana: o emprego conquistado, a cura inesperada, o abraço que reconcilia, o sonho que parecia distante e se aproxima como barco no horizonte.
Viver é aprender a ajustar a chama do desejo ao sopro da Fonte. Se o desejo tenta correr sozinho, esgota-se. Se a Fonte é esquecida, perdemos direção. Mas quando um se rende ao outro, encontramos o compasso perfeito.
E então entendemos, não apenas com a mente, mas com a alma, a força do versículo que atravessa séculos e chega até nós: “Tudo posso naquele que me fortalece.” Não é arrogância, é confiança. Não é soberba, é rendição. É o reconhecimento de que o desejo, por mais humano que seja, encontra na Energia Fonte o seu verdadeiro poder.
E, no fundo, é isso que nos move todos os dias: o diálogo silencioso entre a chama que arde dentro de nós e o sopro divino que nunca deixa de nos sustentar.